A espera era mais uma gota de suor. Transformou o tempo. Caminhava céu e terra procurando. Adormecia mares e oceanos. E o olhar era o mesmo, era deserto e estrada de ferro e o tempo era um trem; e a vida era o cheiro, um canto esquecido dentro do silêncio, puro e doloroso. Corria como o pensamento. Dormia e despertava noite e dia em seu livro. Dizia através das lágrimas.Vivia através do vento, nas nuvens descansava. Os olhos empoeirados respiravam angústia. Caminhava sob a água e sob o sol. Trazia o vazio nos olhos, pendurava a culpa no pescoço e os braços, livres, davam socos no ar. O mundo era apenas um detalhe. Tinha seu próprio mundinho e nele a esperança era azul, mas também era triste, franzina. Era tudo o que existia. Um dia o céu se abriu, o mar se abriu, o tempo virou pó. Ainda esperava mais uma gota de suor, de lágrima, de nada. Presente por todo o espaço, o oráculo na estrada era mudo, era tempo, senhor, mestre, ancião, sábio e sóbrio. Ainda procurava caminhando, o tempo em seu deserto, em seu espelho, toda sua esperança, todo seu desejo; Aquele vazio, aquele espaço. Todo o silêncio, toda canção, era real, tocável; Era seu, tudo aquilo que pensava existir.
3 comentários:
Ah que forma mais gostosa de matar saudades suas
sendo presenteado com tuas palavras.
"O mundo era apenas um detalhe"
nostálgico sentimento que me esquecia de tudo... onde o as pessoas eram meros figurantes, e o cenário já não importava mais se estava presente.
Esse detalhe, o mundo, parece cada vez mais como o definiu. Com ele, vem um sentimento impositivo de impertinência, mas o prefiro, de qualquer forma, a um conformismo sem sentido.
Belo post.
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