7.7.09

Pura Prosa

A espera era mais uma gota de suor. Transformou o tempo. Caminhava céu e terra procurando. Adormecia mares e oceanos. E o olhar era o mesmo, era deserto e estrada de ferro e o tempo era um trem; e a vida era o cheiro, um canto esquecido dentro do silêncio, puro e doloroso. Corria como o pensamento. Dormia e despertava noite e dia em seu livro. Dizia através das lágrimas.Vivia através do vento, nas nuvens descansava. Os olhos empoeirados respiravam angústia. Caminhava sob a água e sob o sol. Trazia o vazio nos olhos, pendurava a culpa no pescoço e os braços, livres, davam socos no ar. O mundo era apenas um detalhe. Tinha seu próprio mundinho e nele a esperança era azul, mas também era triste, franzina. Era tudo o que existia. Um dia o céu se abriu, o mar se abriu, o tempo virou pó. Ainda esperava mais uma gota de suor, de lágrima, de nada. Presente por todo o espaço, o oráculo na estrada era mudo, era tempo, senhor, mestre, ancião, sábio e sóbrio. Ainda procurava caminhando, o tempo em seu deserto, em seu espelho, toda sua esperança, todo seu desejo; Aquele vazio, aquele espaço. Todo o silêncio, toda canção, era real, tocável; Era seu, tudo aquilo que pensava existir.

3 comentários:

Thales Capitani disse...

Ah que forma mais gostosa de matar saudades suas
sendo presenteado com tuas palavras.

Anônimo disse...

"O mundo era apenas um detalhe"

nostálgico sentimento que me esquecia de tudo... onde o as pessoas eram meros figurantes, e o cenário já não importava mais se estava presente.

Renato Alt disse...

Esse detalhe, o mundo, parece cada vez mais como o definiu. Com ele, vem um sentimento impositivo de impertinência, mas o prefiro, de qualquer forma, a um conformismo sem sentido.

Belo post.